Manual de coleta para exames laboratoriais

coleta-Verum-DiagnosticoO resultado de um exame depende, em muito, da metodologia utilizada na coleta realizada muitas vezes pelo médico veterinário em sua própria clínica.

Ao oferecermos o serviço de análises clínicas veterinárias temos ciência das principais dificuldades existentes para obtenção de boas amostras que proporcionem resultados precisos e seguros sem que haja necessidade de solicitar uma nova coleta.

A coleta veterinária nem sempre conta com a colaboração do paciente ou de seu tutor, e muitas vezes a quantidade que se é possível obter é muito inferior aquela desejada pelo clínico.

Passos básicos para uma boa coleta:

  • Verificar sempre, antes da coleta, a necessidade ou não de anticoagulante e qual deles será utilizado;
  • Preencher sempre todos os campos da ficha, e nunca se esquecer da suspeita clínica, pois essa informação é muito importante para o diagnóstico laboratorial;
  • Exames em que as amostras serão coletadas em tempos diferentes, comunique ao proprietário e cumpra rigorosamente estes tempos;
  • Verifique sempre o volume recomendado de material, para realização de cada exame e procure enviar uma quantidade maior que a necessária, para possíveis repetições ou transtornos no transporte.

 

Acondicionamento e envio de material biológico:

  • Todo o material deve ser acondicionado em temperatura de 2 a 8ºC imediatamente após a coleta até a entrega ao laboratório;
  • Caso o material seja encaminhado pelo veterinário em veículo próprio é importante que o transporte seja feito em caixa de isopor com gelo. O material não deve ter contato direto com o gelo;
  • Materiais que não dependem de quantificação de celularidade podem ser enviados congelados sem que haja perda das informações.

 

COLETA DE MATERIAIS DIVERSOS

EXAMES HEMATOLÓGICOS

Primeiramente, deve-se observar que o sangue obtido e transferido para um tubo com anticoagulante não apresente formação de coágulo. Para isso se faz necessário uma boa homogeneização do sangue dentro tubo, para que o sangue entre em contato com o anticoagulante. É importante retirar a agulha da seringa e a tampa do tubo na hora da transferência do material, reduzindo assim a possibilidade de hemólise. Cuidado ao homogeneizar, este procedimento deve ser realizado de forma sutil e cuidadosa para que as hemácias não se quebrem. As amostras podem ser enviadas nos tubos com EDTA (tampa roxa) fornecido pelo Verum Diagnóstico Veterinário.

É muito importante conservar a proporção entre sangue e anticoagulante. O excesso de anticoagulante pode acarretar a destruição das plaquetas, com resultados falsos de plaquetopenia; degeneração citoplasmática dos neutrófilos, com presença de corpúsculos intracitoplasmáticos; vacuolização de monócitos; e destruição e hemólise das hemácias com resultados falsos de hemoglobina e hematócrito.

 

EXAMES BIOQUÍMICOS E HORMONAIS

   É importante observar dados do paciente antes da coleta de material para esses exames. Algumas análises dependem de jejum ou alimentação fornecida com horários regulares para que o exame seja possível e o resultado seja seguro.

A amostra deve ser alocada em tubo seco ou com acelerador de coágulo (tampa amarela, vermelha ou de ambas as cores) em praticamente todos os casos. Exceto análises glicêmicas, que devem ser enviadas impreterivelmente em tubo contendo fluoreto de sódio (tampa cinza) sob pena do resultado se perder. É importante retirar a agulha da seringa e a tampa do tubo para a transferência do sangue, dessa forma o risco de hemólise será muito reduzido.

 

REAÇÃO DE POLIMERASE EM CADEIA (PCR)

Para esse exame são utilizados diversos materiais biológicos, por isso pedimos que cheque a indicação na tabela de exames do material que deverá ser enviado e qual tipo de acondicionamento. Importante pontuar, que amostras de sangue para PCR devem vir obrigatoriamente em tubo com anticoagulante EDTA (tampa roxa).

 

EXAMES DE ÍONS E ELETRÓLITOS

Devem ser encaminhados impreterivelmente em tubo seco (tampa vermelha) ou com acelerador de coágulo (tampa amarela), a adição de anticoagulantes impede sua realização. Novamente, pede-se que sejam retiradas a agulha da seringa e a tampa do tubo na hora da transferência do material.

 

 EXAME DIRETO E CULTURA PARA FUNGOS

Para coleta de material de pele em animais de pêlos longos, realizar tricotomia parcial, deixando pêlos com no máximo 0,5 a 1,0 cm de comprimento. Realizar assepsia cuidadosa do local da coleta com álcool 70°, evitando assim a contaminação por fungos saprofíticos oportunista.

Para pesquisar ácaros e fungos, deve-se realizar um raspado até as camadas profundas da pele e na borda da lesão. Deve-se colocar o material em uma lâmina de vidro e cobrir com outra lâmina, com o auxílio de um esparadrapo fechar as bordas do“sanduiche” de lâmina. O envio de material em recipientes, tubos, sacos .A raspagem profunda produz leve sangramento local.

Atenção: quando a suspeita é de sarna demodécica deve-se comprimir fortemente a pele com os dedos e arrancar os pelos com o bulbo, pois este parasito se localiza profundamente na pele.

 

FEZES RECENTES (Coletor Universal)

   Colher amostra de fezes frescas, não expostas ao sol. O ideal é coletar diretamente do reto, caso não seja possível, coleta-se da porção que não entrou em contato com o solo. A amostra deve ser coletada em recipiente apropriado. As amostras podem ser destinadas a exames parasitológicos e químicos. Refrigerar imediatamente (2-8°C).Nunca congelar amostras de fezes.

Quantidade: 5 a 10g

 

CULTURA (“Swabs”, Coletor Universal Estéril ou Tubo Estéril)

Colher o material o mais diretamente possível da lesão. Lesões profundas: realizar rigorosa antissepsia da região externa e passar o “swab” na lesão.

Enviar a amostra, imediatamente, após a coleta ao laboratório ou solicitar meio de transporte apropriado, caso o material só possa ser entregue após 12 ou 24 horas.

 

PREPARAÇÃO DO TECIDO:

Para a histopatologia convencional o fixador mais comum é a solução aquosa de formalina, formol a 10% (1 parte de formol para 9 partes de água). O volume ideal corresponde à cerca de 10 vezes o volume da peça a ser fixada. Cortar o tecido em fatias finas (1 a 2 cm), incluindo a lesão e algum tecido adjacente com aspecto normal também é indicado.

 

EXAME CITOLÓGICO

O exame citológico é indicado para diferenciar processos inflamatórios agudos ou crônicos e neoplásicos benignos e malignos.

 Citologia Esfoliativa:

Removem-se as células mais superficiais da lesão através de esfoliação (raspagem), sendo indicada na avaliação de epitélios, para caracterizar exsudatos ou para visualização de agentes infecciosos e parasitários. Esta técnica é usada, por exemplo, na determinação da fase do ciclo estral de cadelas, de processos inflamatórios uterinos, habronemoses, lesões cutâneas em geral, otites, etc.

Citologia por Decalque (imprint ou claps):

Colhe-se fragmento de 1-2 cm do órgão ou nódulo a ser examinado, tira-se o excesso de sangue com um papel toalha e faz a impressão em uma lâmina limpa. É uma técnica muito utilizada em sala de necropsia para confirmação diagnóstica de suspeitas levantadas à macroscopia, com resposta rápida. Também utilizada para de lesões cutâneas, pressionando-se a lâmina contra a lesão. Deixa-se secar e fixa-se para enviar ao laboratório.

Citologia Aspirativa por Agulha Fina ou Punção Aspirativa:

Usada para massas e órgãos superficiais como massas expansivas, linfonodos, próstata, tireóide. Usar seringa de 5, 10 ou 20 ml com agulha de diâmetro. Aspirar material representativo, colocar na lâmina e deslizar uma sobre a outra. Fixar as 2 lâminas ao ar por 20 a 30 minutos e enviar ao laboratório em frasco porta-lâmina com histórico detalhado, técnica de colheita e de fixação.

 

FLUÍDOS SINOVIAL, PERITONIAL, PLEURAL E LÍQUOR

Colher o fluído com uma seringa plástica e passar cerca de 2 ml para o frasco de tampa vermelha e cerca de 2ml em frasco de tampa roxa. Manter em geladeira (2-8°C). Realizar também um esfregaço fino (interrompido, sem cauda) e secá-lo ao ar, colocá-lo em porta lâmina e manter à temperatura ambiente.